A arte de harmonizar carne e vinho

0

Andrei Bellé*

A boa mesa sempre teve no vinho um dos seus mais fiéis parceiros. O hábito de associar esta bebida às refeições remonta ao Antigo Egito, evidenciado por registros em pinturas. Sendo o vinho um elemento cultural fundamental nas maiores civilizações da história ao longo dos tempos, o costume de combiná-lo com o alimento sofisticou-se e virou uma verdadeira arte, com conceitos e regras que nos permitem usufruir ao máximo dessa combinação. Uma boa harmonização se vale do equilíbrio entre as sensações proporcionadas por vinho e prato, onde cada nuance é fundamental para o seu sucesso.

 

A forma mais tradicional de combinação é por semelhança, na qual se buscam características compatíveis nos itens que compõem a harmonização. Desta maneira, considera-se que vinhos potentes tenham boa relação com pratos fortes e ricos em gordura, como carnes vermelhas. Já vinhos leves, sobretudo brancos, se saem bem quando combinados a peixes e frutos do mar, que possuem sabor geralmente suave. Outras técnicas tradicionais de contraste são por oposição e harmonização regional. Na primeira, a ideia é que características opostas equilibrem-se. Vinhos ácidos ou tânicos anulam a gordura, enquanto a dulçor do vinho pede pratos salgados. A harmonização regional (ou por origem) visa combinar pratos e vinhos oriundos de um mesmo local, como por exemplo, o tradicional Bacalhau português com Vinho Verde.

A Casa Valduga, uma das mais tradicionais vinícolas do país, situada no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, oferece cursos que abordam o tema Harmonização.  Completando 140 anos de imigração Itália-Brasil em 2015, a Valduga ainda hoje mantém seu caráter estritamente familiar. Aliando tradição passada de geração em geração às melhores tecnologias, e com um intenso trabalho em seus vinhedos, a vinícola conquista paladares em todo o mundo e leva seus aromas e sabores a mais de 20 países. Além disso, é mundialmente consagrada com mais de 300 prêmios em concursos nacionais e internacionais. Seus vinhos ícones vêm dos terroirs do Vale dos Vinhedos, Campanha Gaúcha e Serra do Sudeste. A vinícola celebra sua profunda relação com a enogastronomia por meio do restaurante Maria Valduga, que apresenta o melhor da culinária típica regional.

A ampla linha da vinícola contempla vinhos com capacidade de harmonizar com os mais variados pratos. O rótulo Raízes Cabernet Franc, de taninos elegantes e macios, é especialmente indicado para aves de caça, como codorna, pato e faisão.  Para caças de pelo, como javali, capivara e paca, recomenda-se o exótico Identidade Arinarnoa, generoso e potente.  O Leopoldina Gran Chardonnay D.O, um dos ícones da empresa, encontra na carne de jacaré uma combinação excepcional.

* Andrei Bellé é enólogo da Casa Valduga. 

Compartilhe.

Deixe um Comentário