App registra quantas vezes homem interrompe fala da mulher

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Segundo o consciente coletivo – muito provavelmente, criado pelos homens – a mulher é um ser mais falante do que os seres de gênero masculino, certo? Não! Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, quando o reconhecimento de igualmente de direitos femininos volta a ser pauta de movimentos ao redor do mundo, é possível notar que ainda há muito a se conquistar ao voltar a atenção para sutis diferenças como o poder da mulher se expressar em debates de ideia do dia a dia, seja no trabalho ou em casa, e até mesmo em palanques políticos. Haja vista as últimas eleições municipais, em 2016, quando as mulheres representaram pouco mais de 30% das coligações partidárias.

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App Woman Interrupted registra quanto os homens bloqueiam fala feminina

Inspirada nessa discussão, a agência BETC São  Paulo idealizou o aplicativo Woman Interrupted,  (https://itunes.apple.com/us/app/woman-  interrupted/id1208260093?mt=8f) uma  plataforma que contabiliza quantas vezes um  homem interrompe a fala feminina. Sem fins  lucrativos, a novidade será lançada durante a  semana em que se celebra o Dia Internacional  da Mulher. “À primeira vista, pode parecer um  problema pequeno, mas que reflete questões  mais profundas da desigualdade de gênero no  trabalho e na sociedade. O aplicativo é uma  forma de mostrarmos que, na verdade, a  interrupção é real e alarmante”, comenta Gal Barradas, sócia-Fundadora e Co-CEO da BETC São Paulo e única representante no ranking dos dez publicitários mais admirados por empresas anunciantes, segundo o estudo Agency Scope, da Scopen (ex-Grupo Consultores). O objetivo do Woman Interrupted App é ampliar o debate em torno do Manterrupting.

A novidade também visa a conscientização do público masculino, que muitas vezes não reconhece o comportamento. Em 2014, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade George Washington (EUA), publicado no Journal of Language and Social Psychology, apontou que as mulheres são significantemente mais interrompidas
do que os homens (http://bit.ly/2la3teI). Esse fenômeno é interpretado como uma das manifestações do desequilíbrio de gêneros. Apesar de poder ser utilizado em qualquer ambiente, o Woman Interrupted foi criado pela agência pautado no mercado de trabalho, para uso em apresentações e reuniões profissionais. Para utilizá-lo, basta fazer o download gratuito nos sistemas Android e IOS e começar a usar em um dos quatro idiomas disponíveis – português, inglês, espanhol ou francês.
Para identificar as interrupções com maior precisão, a plataforma solicita que o usuário calibre e registre sua voz. O app aproveita o microfone do celular para analisar conversas e detectar o número de interrupções durante o período em que estiver ativado. Com a voz do usuário como parâmetro e a diferença na frequência de voz masculina e feminina, sua tecnologia permite identificar em que momentos a usuária foi interrompida por um homem ou, no caso de um usuário masculino, em quais momentos ele interrompeu uma mulher. O Woman Interrupted faz análises em tempo real e transforma as interrupções em dados. Nenhuma conversa fica registrada no aplicativo, apenas o número de interrupções, duração e data.
A médio prazo, a BETC prevê o lançamento de um Dashboard Global que apresentará um overview dos dados coletados ao redor do mundo, em tempo real. Aberta a quem quiser saber mais sobre o tema, nessa plataforma poderão ser encontradas informações como número de interrupções por minuto e por país, além de comparativos entre regiões e faixa etária, por exemplo.
De acordo com Gal Barradas, o Manterrupting desvaloriza a participação feminina em reuniões e apresentações. “Nós, mulheres, lutamos diariamente para conseguirmos nosso espaço no mercado e o direito de nos expressar. Quando chegamos lá, o Manterrupting faz reduzir nossa participação”, explica. “Queremos que os homens se perguntem: será que estou fazendo isso sem perceber? Afinal, do que adianta ter mais mulheres em uma sala de reunião se ninguém escuta o que elas têm a dizer?”, completa.
Idealizadora da plataforma, a BETC é uma agência que tem a igualdade de gênero em seu DNA. Tanto a presidência da rede quanto a de seus escritórios pelo mundo – Paris, Londres e São Paulo – são co-lideradas por um homem e uma mulher, desde sua fundação. Na agência paulistana, por exemplo, o board executivo é divido igualitariamente entre homens e mulheres, bem como não há distinção salarial por gêneros que ocupam o mesmo cargo, realidade ainda pouco encontrada no mercado de trabalho brasileiro ou global.

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