Brasil será ‘reconfigurado’ para o futuro, dizem especialistas em tendências

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Para a WGSN, maior autoridade mundial de previsão e tendências para as indústrias da moda e criativa, em 2018 pessoas e empresas vão apertar o botão “reiniciar” e redefinir como vivemos, projetamos e negociamos no mundo todo. Num cenário em que tudo será novo, empresa que se dedica a estudar tendências se fortalece como ferramenta para auxiliar no planejamento de negócios. O Brasil também vai viver este momento de reset, segundo Daniela Dantas, Head WGSN Mindset LATAM, que lidera o time de especialistas focados em projetos personalizados, pesquisa de tendências e construção de marca da WGSN.

“Este reinício começa agora e acontece para que possamos mudar o futuro do país. É um reset do brasileiro como cidadão, consumidor e também como cultura”, afirma a executiva. O histórico da classe média no país mostra que nos últimos tempos ela conquistou o poder de consumo e ganhou os holofotes. A partir de agora, o contexto vai mudar a forma dessa inclusão. “A classe média será cada vez mais consequência dos seus próprios valores e não do seu poder de consumo”, explica Daniela.  O momento político atual vai fortalecer a necessidade de uma atitude mais transparente de empresas e setor público. “Apesar de não ser um comportamento novo, o que é interessante aqui é que ele começa atingir camadas que antes não atingia”, explica Daniela.
Segundo Daniela, o Brasil ainda vive imerso em preconceito social, cultural, de gênero e ético. E isso vai alimentar uma nova onda de revoluções de grupos muitas vezes ignorados pela sociedade e pelas marcas. “Veremos pessoas manifestando-se sobre raça, cabelo enrolado, assexualidade, entre outros temas que hoje ainda são delicados”, afirma a especialista.

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Daniela Dantas, Head WGSN Mindset LATAM

Além disso, mesmo com o país passando por um momento sério, surge uma forma  de quebrar padrões de maneira divertida e nonsense, nos quais o surreal é  elemento importante. “Não significa que vamos criar algo novo, pois é possível se  apropriar de obras de terceiros, colocadas em um novo contexto como fan fics de  casais bizaros e o Bipolar show”, completa Daniela. O reset da nossa cultura vem  desenhado de novos contornos. “É preciso esquecer os clichês do brasileiro e  olhar para essa cultura de um novo jeito, com uma nova cara, como o cantor  Liniker, a exposição Youth de Rick Duarte e o filme Boi Neon”, finaliza ela.

 Quatro macrotendências para o breve futuro
 “Em dois anos, vamos viver um momento crucial pautado pela justaposição entre  dependência tecnológica e autossuficiência. Tecnologias voltadas para a cura irão  transformar o sistema de saúde e a indústria relacionada ao bem-estar, porém não   substituirão a importância em praticar exercícios físicos, já que a força se  estabelece como o novo saudável. Tecidos inteligentes irão sacudir a indústria de moda, mas não chegarão a substituir a necessidade de materiais com toque agradável. Novos aplicativos e redes sociais irão estimular relacionamentos globais, mas a nossa conexão mais importante será com a natureza e com a gente mesmo”, adianta Letícia Abraham, VP Latam da WGSN. A empresa aproveitou a semana do São Paulo Fashion Week, em abril, para apresentar macrotendências que vão permear a vida, e os negócios, em 2018.

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Letícia Abraham, VP Latam da WGSN

1ª macrotendência: Vida Terrena
“A natureza não precisa de pessoas. As pessoas precisam da natureza”. É o que diz a primeira linha do ‘manifesto humano’, publicado pela organização ambiental Conservation International. “É um sentimento adequado para servir de ponto de partida nessa temática, que aponta para uma necessidade emergente de conexão com a natureza de forma visceral e selvagem”, afirma Letícia Abraham, VP Latam da WGSN.

2ª macrotendência: Noturno
Noturno não dá destaque apenas à escuridão da noite, esta tendência fala de sentimentos e situações sombrias, como a melancolia – que pode trazer o autoconhecimento; o pessimismo – aqui visto como impulso necessário para a superação; e até a morte, projetada de forma mais natural. A solidão também será encarada, e buscada por muitos. “Vamos ter um reforço do ‘Viajante Solitário’, que troca viagens rápidas por longos períodos de contemplação em lugares onde o tempo parece que não passa, como Finlândia, Alaska, Norte do Canadá e Noruega”, afirma a VP Latam da WGSN. O número de viajantes solitários está em constante crescimento. O Estudo de Intenções de Visto Global de viagens de 2015 constatou que 24% das pessoas estavam viajando sozinhas, em países estrangeiros em suas últimas férias, o que significa um crescimento de 15% desde 2013. Além disso, o turismo solo é ainda mais comum entre os marinheiros de primeira viagem ao exterior, aumentando para 37% em relação aos 16% de 2013.

3ª macrotendência: Design substancial
O ‘menos’ se tornará menos ainda, e significará muito mais. “Os consumidores contemporâneos desejam que a sustentabilidade seja um padrão da indústria e não uma estratégia de marketing. As marcas terão que se empenhar mais para atender a essa demanda. O design não deve apenas ser bom, ele também deve servir a um bem maior, ultrapassando os limites do produto e da propaganda”, conta Letícia Abraham. Com isso, o valor dos produtos e serviços será redefinido. “Quando as pessoas comprarem os produtos, de fato, elas desejarão que tais produtos agreguem valor à suas vidas, em vez de somente ocuparem espaço”, completa. Em resumo, essencialidade é nova sustentabilidade.

4ª macrotendência: Infusão
Esta tendência surge com um questionamento: como a tecnologia está nos moldando e como estamos moldando a tecnologia? “A Infusão vem mostrar que humanos e máquinas estão, pouco a pouco, se convergindo e haverá uma pressão para que trabalhem juntos: a tecnologia se torne parte mais intrínseca da vida, e para que as qualidades mais vivas e intuitivas se tornem parte mais intrínseca da tecnologia”, explica a VP Latam da WGSN. “À medida que se torna mais fácil personalizar um perfil online, as pessoas também desejam personalizar seus perfis offline. As antigas identidades sociais são desconstruídas e surgem novas ideias, com a sociedade desafiando e redefinindo a imagem corporal e os estereótipos raciais. As definições de gênero, tipo de corpo e raça se tornarão mais fluidas e abertas, por exemplo”, complementa Letícia.

 

 

 

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