Que tal investir no apreendedorismo?

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*por Lupércio Rizzo

lupercio Tempos atrás, eu estava lecionando no curso de pedagogia em uma Universidade de Santo André e  dei o seguinte conselho para minhas alunas: Leiam, leiam e leiam! Após 15 dias, participei de uma  mesa redonda no SENAC Santo André na qual estavam uma profissional com mestrado em  Psicologia e meu orientador de doutorado em Filosofia da Educação. Em dado momento, abrimos  para perguntas da plateia e uma moça questionou sobre a forma como um profissional deve se  preparar para tempos complexos. A resposta do meu convidado foi, para nossa surpresa, leia, leia  e leia! Detalhe: não havíamos combinado nada. Foi coincidência? Não creio que foi coincidência,  mas apenas a resposta da qual não era possível fugir. O melhor dos aprendizados sempre passa  pela leitura.
Muito se fala em empreendedorismo e em métodos de sucesso. Para mim, planejamento e trabalho são  essenciais, conforme já escrevi nessa coluna. Mas existe um componente que o professor Gabriel Perissé, de forma muito oportuna e feliz, chama de aprendedorismo. Investir no aprendizado é essencial para qualquer negócio e determinante para qualquer pessoa, tanto para quem monta o negócio próprio, quanto para o crescimento profissional dentro de uma organização. As pessoas, em geral, não são preparadas para o fracasso e, tampouco, entendem que fracassar pode ser componente do êxito. Talvez, um dos grandes problemas no campo dos negócios esteja no fato de que as pessoas estudam e se preparam, unicamente, para sua área de atuação.
A leitura e o estudo são essenciais para ampliarmos o conhecimento sobre o mundo. Por meio da leitura conhecemos melhor o ser humano e a nós mesmos. Existe melhor forma de obter sucesso do que entender as pessoas, conhecer o cliente, compreender o ambiente de trabalho e extrair disto o melhor? O melhor dos líderes é aquele que conhece a fundo seus liderados e, com isso, potencializa suas capacidades. É possível conhecer o Nordeste de muitas formas, mas ler Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é se apropriar do pensamento nordestino, da vida do retirante. Compreender a falta de privacidade e a super exposição pessoal cada dia maior com a qual convivemos, por exemplo, fica mais fácil depois de lermos 1984, de George Orwell.
Às vezes, mais produtivo e econômico do que contratar um consultor ou palestrante é disponibilizar na sua empresa uma coleção de livros ou boas revistas,  que ampliem a capacidade de reflexão dos funcionários. Entender o ser humano com mais propriedade é melhorar o clima organizacional, é criar sintonia com clientes e parceiros, incrementando o chamado capital intelectual. Empresas vencedoras já perceberam a importância disso. Mais do que pensar em empreendedorismo, pensar em aprendedorismo é fundamental para o sucesso pessoal e corporativo. Afinal, nós somos nossa primeira e mais importante empresa!

*por Lupércio Rizzo é  doutor em Educação pela USP, mestre em Educação e pós-graduado em Docência Universitária e graduado em Pedagogia.  Atualmente é coordenador de Pós-Graduação no SENAC, pesquisador da Capes/Inep, com participação em pesquisas voltadas à educação e inclusão social, consultor e palestrante em eventos e congressos direcionados à educação, gestão intelectual e formação de professores.

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