Que tal um pouco de desconexão e mais concentração?

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*por Lupércio Rizzo

lupercioVocê pretende ler esse texto até o fim? Se sua resposta for positiva, lhe convido a largar o celular e não ver seu e-mail ou redes sociais durante a leitura. Me apresso em explicar o motivo: vou discorrer sobre as possíveis vantagens de se desligar um pouco ou, para ser mais atual, se desconectar. Confesso que estava tentando escrever esse texto desde o início da semana, mas as tarefas são muitas e por conta disso não tive tempo para me dedicar à escrita com mais cuidado.  Mentira!

Não me ocupei a semana inteira com tantas tarefas. Na verdade, eu também fiquei conversando nas redes sociais, lendo coisas desnecessárias e vendo um pouco da vida dos outros no Face. Por conta disso, procrastinei. Para falar mais claramente, deixei para depois ou não fiz como deveria, tudo que podia ter feito.

Como diz o pensador Tarliso Doria, “Em um mundo conectado, desconectar-se por alguns minutos é viver”. Já sabemos que algumas partes do cérebro trabalham quase que em standy by, quando somos excessivamente estimulados. Ou seja: não desligam totalmente, mas também não funcionam produtivamente. Podemos comparar com uma situação chamada de paradoxo da escolha. Quando temos muitas escolhas, muito mais que o razoável e necessário, acabamos por não escolher nada de diferente. Quem nunca passou pela situação de escolher pizza com amigos e se deparou com uma lista de mais de cinquenta tipos? Em geral, nestas situações, escolhemos as triviais.

Em nosso planejamento de carreira e consequente preparação profissional acontece a mesma coisa. Precisamos nos desconectar para poder ter concentração, ter foco e alcançar bons resultados. Com o advento cada vez maior dos cursos a distância, incluindo aí a possibilidade de adquirir conhecimento de outros idiomas ou assistir aulas de instituições consagradas mundialmente, cresce também a necessidade de se desconectar para poder se conectar de fato em algo. Um currículo com muitos cursos e eventos é interessante, mas no cotidiano o que um profissional precisa de fato entregar é conhecimento, eficiência e eficácia. De nada adianta ter feito um sem-número de cursos se os fez sem dedicação.

Há ainda outro fator, o estresse. Sabidamente, o acúmulo de informações tem gerado crises de ansiedade em milhões de pessoas como uma epidemia dos nossos tempos. O custo disso é o aumento de pessoas infelizes, tanto profissional quanto pessoalmente. Se você leu esse texto até o fim, sem desviar sua atenção parabéns! Isso não indica que você ainda está entre os que conseguem se concentrar. Em um mercado cada vez mais competitivo, isso pode ser um diferencial decisivo!

* Lupércio Rizzo é  doutor em Educação pela USP, mestre em Educação e pós-graduado em Docência Universitária e graduado em Pedagogia.  Atualmente é coordenador de Pós-Graduação no SENAC, pesquisador da Capes/Inep, com participação em pesquisas voltadas à educação e inclusão social, consultor e palestrante em eventos e congressos direcionados à educação, gestão intelectual e formação de professores.

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