Sergio Ballaminut: um poeta em São Caetano

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sergio Apesar de classificada como pequena, São Caetano do Sul tem entre sua  população grandes artistas, ainda que muitos sigam anônimos com seus  esforços para compartilhar suas criações com aqueles que apreciam as variadas  manifestações de sensibilidade, que só quem trafega pelo universo da  criatividade consegue absorver. O escritor Sérgio Ballaminut está entre estas  raras pessoas que dedicam boa parte do tempo a traduzir sentimentos em  verso e prosa. Bacharel em Administração de Empresas pela PUC-SP e  Especialista em Finanças pela USCS, o escritor tem como ocupação  profissional o cargo de administrador público. Após “despir-se” do peso da  burocracia que o ofício lhe exige, entrega-se ao exercício da arte literária e  com isso nos premia com grandes obras que falam, delicadamente, dos  controversos sentimentos humanos. Nesta entrevista exclusiva ao site Viver  São Caetano, Sergio Ballaminut, conta um pouco de como iniciou a prática  literária e de onde vem suas melhores inspirações:

Viver São Caetano (VSC): Quando você começou a escrever obras literárias?
Sergio Ballaminut (SB): Comecei a escrever poemas em 1990, quando tinha 15 anos de idade e iniciava o Colegial, atual Ensino Médio.

VSC: O que o motivou a se enveredar para esta forma artística?
SB: Comecei a enveredar pelos caminhos da poesia embalado pelas especialíssimas aulas de Literatura de minha querida ex-professora Laila Nicolau, que prefaciou meu primeiro livro e mereceu, por tudo que representou em meus primórdios literários, um poema homônimo que dele consta.

VSC: Qual ou quais autores mais influenciaram na formação de seu estilo?
SB: Fui e sou grandemente influenciado em meus  atos de criação pelo Modernismo na literatura, sobretudo, na figura de poetas como o português Fernando Pessoa e o mineiro Carlos Drummond de Andrade, sem contar referências como Ferreira Gullar, Mário Quintana, Paulo Leminski e Vinicius de Moraes, entre outras. Muito influencia meu poetar, também, a música de Minas, relativamente simples na forma de expressão de suas letras, mas carregada, em sua essência, de profundo sentimento.

VSC: Quantas obras você já publicou?
SB: Já publiquei quatro livros de poesia: Os Poetas do Meu Canto (2013), Poesia em Quatro Atos (2014), A Flor de Minas e a Janela dos Dias (2015) e Alma de Mim (2016), recém-lançado. Nos 12 anos iniciais da minha criação, produzi inúmeras breves séries de poemas, cujos melhores textos acabaram por integrar, mais tarde, meu primeiro livro, Os Poetas do Meu Canto. Já o segundo, foi composto pelos melhores escritos de nove séries maiores que vieram em seguida, organizados em quatro distintas e interligadas partes que chamei de atos. E nasceu Poesia em Quatro Atos. O terceiro livro, mais temático, é o produto da união de duas séries grandes de poemas, Flor de Minas e Janela dos Dias. E Alma de Mim, série única, totalmente temática, revisita, de certa forma, os livros anteriores, e vem consolidar essa trajetória.

VSC: Fale um pouco de como surgiu a inspiração de cada uma delas:
SB: Os Poetas do Meu Canto, como primeiro livro, como livro de origem dessa trajetória, recebeu esse nome, que é título de poema homônimo, justamente para se constituir em um brinde a todas as minhas fontes de influência e inspiração, aos poetas do meu canto propriamente ditos.

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Livro 1: Os poetas do meu canto

Poesia em Quatro Atos veio abrir as cortinas da minha poesia. Como se o livro fosse uma peça teatral,  os quatro atos conversam entre si num enredo d’água. Tal se o veio de poesia que brotou n’Os Poetas  do Meu Canto se fizesse agora rio em tentativa de correr pro mar: da fonte à expansão do horizonte.

Em A Flor de Minas e a Janela dos Dias, o eu-lírico propõe pular a Janela dos Dias, a rotina dos dias e  começar a tão íntima e longa viagem rumo à própria essência, poeticamente representada pela Flor de  Minas, e redescobrir-se.

E agora, à janela de outros dias, os poetas do meu canto levam a novo ato a minha poesia. E, num singelo poetar, vamos traduzindo, assim, simples simplesmente, a Alma de Mim.

 VSC: Como funciona a inspiração criativa para você? Em que momento o conteúdo surge em sua mente e como você organiza estas inspirações?
SB: A poesia não tem hora pra chegar; ela tem vontade própria. Escolhe seu momento de acontecer. O poeta é seu servo fiel. Basta ela querer, “e segue o servo ser”. Às vezes, vem de madrugada; outras, à luz do dia; às vezes, vem em casa; outras, no coletivo; outras, ainda, no trabalho; às vezes, de um pensamento; outras, de uma observação; às vezes, de um lamento; outras, de uma emoção. Essas inspirações, às vezes, chegam poemas polidos; outras, ideias a serem oportunamente lapidadas pelo delicado buril da poesia.

VSC:  Você acredita que qualquer pessoa que queira, pode escrever poesia ou isso depende essencialmente de talento?
SB: Costumo dizer que poesia é arte e arte é expressão Divina, a singela expressão de um dom de Deus, razão pela qual artistas simplesmente o são e jamais se constituem como tal. Por isso, escrever poesia exige talento.

VSC: Você já tem novos títulos em produção?
SB: Ao longo deste ano venho trabalhando em duas novas séries de poemas, as quais constituirão meu quinto livro de poesia, que deverá se chamar “Fazendeiro do Tempo, Mensageiro do Ar”. Além disso, com um conteúdo mais incipiente, venho registrando, também, alguns textos em outra série, Versejanças. Paralelamente, comecei a escrever meu primeiro livro em prosa, Sete Selos, cuja intenção é reunir, de forma romanceada, relatos de outras existências de Fernando, seu personagem principal, vivenciados em processo de regressão.

VSC: Sua relação com a literatura é apenas como hobby ou você ainda pretende viver da venda de seus livros?
SB: Pretendo profissionalizar minha relação com a literatura – embora sem a pretensão de viver desse ofício, até porque tenho minha profissão – por amor à arte escrita e para poder levar a cabo todos os meus projetos nesse campo, sempre na expectativa de algum reconhecimento.

VSC: Você é membro da Academia de Letras da Grande São Paulo?
SB:Não sou membro da Academia de Letras da Grande São Paulo ainda, mas tenho o desejo de sê-lo e estou trabalhando pra isso. Atualmente sou membro do Conselho Diretor da Fundação Pró-Memória e da Academia Popular de Letras de São Caetano do Sul, grupo de escritores que se originou na Biblioteca Municipal Paul Harris.

 

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