Uma visão holística sobre o plano de carreira

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*por Lupércio Rizzo

lupercio Recentemente foram divulgados alguns índices acerca de saneamento básico que são realmente  tristes. Não vou usar a palavra “assustadores”, porque assustar deriva de levar um susto. Isso  acontece quando somos acometidos de uma notícia ou acontecimento inesperado, algo  desconhecido ou que nos chega de surpresa.  A palavra que encontro nesse momento é exatamente  esta: tristeza.

Recorro à questão do saneamento nesta coluna que versa sobre Carreira e Educação, porque na  vida uma coisa não acontece sem a outra. Lembremos de Mahatma Gandhi que alertou que “um  homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em  outra. A vida é um todo indivisível”

Quando pensamos em carreira e, por consequência, em educação devemos levar em conta que podemos fazer a distinção entre duas vertentes: a formação de parcela da população que dispõe de mais recursos e de outro, a enorme quantidade de pessoas que não tem acesso à educação de qualidade.

É necessário que pensemos em carreira de forma ampla. Meu avô dizia que devemos olhar no gato espiando o rato. Não há carreira nem progressão intelectual consistente se não houver melhorias para todos. Até porque, carreira pode ser entendida, dentre outras formas, como progressão em relação a outras carreiras ou apenas uma escalada de posições dentro da mesma profissão.

O que afirmo, então, é que não haverá plano de carreira para um se não existir para todos. Você pensa em sua carreira e, simultaneamente, pensa nos demais?

Talvez a pergunta pareça mais de apelo político do que propriamente de gestão de pessoas. Mas, a proposta aqui exposta é deflagrar uma discussão bem acima de um pensamento possivelmente precipitado ou simplista de mera conjectura.

Um gestor deve se preocupar com sua formação, com a formação da sua equipe e com os aspectos que podem impactar esse processo. Quando se fala, por exemplo, em programação neurolinguística e, por extensão, em metaprogramas, temas que estão na moda atualmente, é necessário pensar no nível mais elementar na escala dos metaprogramas: ambientes e comportamentos.

Não pode existir progressão de carreira, crescimento intelectual ou qualquer avanço pessoal, se não proporcionarmos a nós e aos outros condições ambientais adequadas.

Assistirmos com frequência profissionais de recursos humanos ou especialistas em empregabilidade afirmarem que a mão de obra no Brasil é formada superficialmente. Queixam-se da qualificação profissional do trabalhador brasileiro e isso é justificado, até mesmo, para questões maiores como o chamado Custo Brasil.

Ora, enquanto não dermos conta das questões ambientais e de comportamento, áreas onde se apresentam a base neurolinguística, não avançaremos para os outros níveis como capacidades, valores e crenças. Por fim, atendendo todos esses fatores, podemos pensar em mudanças evolutivas, atuando aí na nossa missão e valores.

E você já deve estar perguntando: o que tudo isso tem com a questão de saneamento básico? Precisamos, urgentemente e coletivamente, nos preocuparmos com a formação de nossos pares, de nossas equipes, de nossos colegas de trabalho e até mesmo de nossos familiares. Planejar a carreira é refletir sobre nossa vida em geral, é nos dedicarmos a pensar holísticamente sobre nós mesmos. Não crescemos de forma isolada nas áreas-chave da vida, como saúde, finanças, família, cultura, social. Somos um todo.

Por extensão, temos consistência de que a vida depende da coletividade. Não crescemos sozinhos. Entre os aspectos relevantes para o desenvolvimento de carreira está a necessidade de lutar pelo crescimento de todos ao redor. A “carreira” de um país também deve estar alicerçada na educação para todos.

* Lupércio Rizzo é  doutor em Educação pela USP, mestre em Educação e pós-graduado em Docência Universitária e graduado em Pedagogia.  Atualmente é coordenador de Pós-Graduação no SENAC, pesquisador da Capes/Inep, com participação em pesquisas voltadas à educação e inclusão social, consultor e palestrante em eventos e congressos direcionados à educação, gestão intelectual e formação de professores.

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