Vai um glúten aí? estudo traz novidades sobre o tema

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Por Julie Upton, MS, MD, é experta em dietas e especializada em temas de alimentação, nutrição e saúde*.

julie_upton_baja Atualmente muitas pessoas fazem um grande esforço para evitar o glúten, uma proteína que  encontramos no pão, cevada e diferentes alimentos processados. Mas realmente existem  benefícios nas “dietas livres de glúten” ou é apenas uma moda passageira? Um estudo  publicado recentemente por US National Library of Medicine National Institutes of Health   revela que 86% dos indivíduos que acreditavam ser intolerantes ao glúten na realidade não  são.  Isso significa que eles podiam consumir normalmente alimentos com glúten. As pessoas  com intolerância a esta proteína, um transtorno hereditário, representam cerca de 3 milhões  de indivíduos apenas nos Estados Unidos, ou aproximadamente 1% do total da população.  No Brasil, segundo a Fenacelbra (Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil),  a doença afeta a 2 milhões de pessoas, sendo que a maioria deles ainda sem diagnóstico.

Nos Estados Unidos 30% dos compradores optam por alimentos “livres de glúten” e 41% das  pessoas acreditam que estes alimentos são benéficos para a saúde, quando a realidade é  outra, eles possuem poucos nutrientes e altos índices de açúcar, sódio e gordura. O setor de  bolachas, snacks e chips é um dos responsáveis pelo crescimento na fabricação deste  produtos.

Esta moda, em parte, está relacionada com a difusão dos “defensores das dietas livres de glúten” e celebridades que impulsionam dietas sem trigo. Como resultado muitas pessoas acabam convencidas de que são “sensíveis ao glúten” e acabam evitando os alimentos elaborados com esta proteína. “As pessoas querem acreditar que são intolerantes ao glúten porque é um caminho para deixar o consumo de carboidratos, porque, além disso, pensam que engordam”, explica Vandana Sheth, especialista em dietas e porta-voz da Academy of Nutrition and Dietetics.

Mas quantas pessoas realmente são sensíveis ao glúten? Para tentar responder a esta pergunta investigadores da Universidade de L’Aquila, na Italia, realizaram um ensaio clinico controlado com 392 pacientes que pensavam sofrer de uma sensibilidade a esta proteína. Todos os indivíduos foram instruídos a comer alimentos com glúten antes dos resultados dos exames (análises de sangue e endoscopia, entre outros) para determinar se eram celíacos ou se sofriam alguma alergia ao trigo. Depois de um período de seis meses, os que obtiveram um resultado negativo como celíaco o alérgico ao trigo foram instruídos para reintroduzir a sua alimentação o glúten e foram monitorados para ver se sofriam de sintomas associados com a sensibilidade a proteína.

Os resultados? Surpreendentes! 93% dos 392 pacientes que acreditavam ser sensíveis ao glúten não sofriam da doença e podiam tolerá-los sem nenhum problema. Apenas 6,63% foram diagnosticados como celíaco e dos indivíduos (0,51%) alérgicos ao trigo. Em 27 pacientes (6,88%) se encontrou a sensibilidade ao glúten, ainda que não estivesse relacionado com a doença celíaca. Com base nestes dados, quase 86% (85,98%) não sofre nenhum tipo de intolerância ao glúten e pode comer normalmente. Assim como a doença celíaca e as alergias ao trigo, a sensibilidade ao glúten não é tão comum como muitos pensam. Além disso, optar por uma dieta livre de glúten não é necessariamente a mais saudável, nem a mais recomendável para emagrecer, já que poderia favorecer ao aumento de peso. “Muitos produtos livres de glúten possuem uma grande quantidade de calorias, gorduras, sódio e açúcar para melhorar seu sabor e sua textura, compensando a falta de glúten”, explica a especialista em dietas Marina Chaparro, porta-voz da Academy of Nutrition and Dietetics. Para grande parte das pessoas uma dieta rica em vegetais, frutas, grãos inteiros, proteínas magras e gorduras saudáveis, ingeridas em quantidades adequadas, é a melhor forma para manter um peso saudável e reduzir as probabilidades de desenvolver uma doença crônica.

*Julie Upton, MS, MD, é experta em dietas e especializada em temas de alimentação, nutrição e saúde. Jornalista reconhecida nos Estados Unidos, escreveu milhares de artículos para jornais nacionais, revistas e meios de comunicação como The New York Times, The Huffington Post, US News and World Report, Prevención, Forma, Salud, Good Housekeeping, Redbook e Diario de los hombres. É co-autora de The Real Skinny: Appetite for Health’s 101 Fat Habits and Slim Solutions (Penguin 2013) e Energy to Burn: The Ultimate Food and Nutrition Guide to Fuel Your Active Life (Wiley, 2009). Também é  co-fundadora de Appetite for Health, blog sobre nutrição, fitness e saúde.

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